Príncipe Philip, o príncipe grego

Descendente da monarquia grega, o Príncipe Philip – Duque de Edimburgo, marido da Rainha Elizabeth II morreu aos 99 anos dois meses antes de completar seu centenário.

Nascido na Ilha de Corfu, na Grécia, em 10 de junho de 1921, o Duque de Edimburgo, o príncipe Philip é o monarca grego mais famoso do mundo da história atual. Filho do príncipe André – o sétimo filho, e o quarto menino, do rei George I que reinou a Grécia durante os anos de 1863 a 1913, até seu assassinato. O irmão mais velho de André, Constantino I e tio do príncipe Philip, assumiu a coroa grega até 1917, quando forçado a um breve exílio até 1920, neste ano retornou à Grécia e manteve seu reinado até 1922.

Durante a Primeira Guerra Mundial e o período entre Guerras, a Grécia passou por algumas instabilidades políticas e golpes que rodeavam os monarcas gregos. Foi em um destes contextos que o pai do príncipe Philip juntamente com sua esposa, a princesa Alice de Battenberg, bisneta da Rainha Vitória, foram expulsos da Grécia durante o golpe de 1922. O pequeno príncipe Philip, ainda bebê, saiu do país dentro de uma caixa de laranjas improvisada como berço. No início do exílio, a família do príncipe Philip passou a viver aos arredores de Paris.

Durante os anos que se sucederam a família se dispersou. A mãe de Philip sofreu um esgotamento nervoso e foi internada na Suíça diagnosticada com esquizofrenia e tratada pelo pai da psicanálise, Freud. Alice de Battenberg ficou alguns anos internada e após sua saída dedicou-se à vida religiosa e humanitária, em Atenas. Em 1967, após o golpe militar na Grécia, foi morar com a nora a rainha Elizabeth II e o filho, duque de Edimburgo, no palácio de Buckinghan. Faleceu em 1969, na Inglaterra aos 82 anos.  Hoje, seus restos mortais se encontram no túmulo da Igreja Ortodoxa de Santa Maria Magdalena, no Monte das Oliveiras, como era seu desejo.

Durante a década 20, as quatro irmãs de príncipe Philip foram morar na Alemanha ao se casarem com nobres alemães e simpatizantes nazistas. Em 1937, sua irmã Cecília, casada com um oficial do alto escalão de Hitler, morreu com o marido e seus dois filhos em um acidente aéreo. Foi no enterro de sua irmã, que seus pais se viram pela última vez. Príncipe André foi morar em Monte Carlo com a amante e a princesa Alice voltou para Atenas e convidou o filho Philip a ir com ela. O jovem não aceitou, preferindo ficar na Inglaterra e continuar seus serviços e sua carreira como oficial na marinha inglesa. Philip tinha apenas 16 anos.

Essa decisão jovial mudaria para sempre seu destino.

Da caixa de laranja à monarquia Britânica

O jovem príncipe, nascido Philip da Grécia e Dinamarca e batizado na Igreja Ortodoxa Grega, em 1930, aos 9 anos foi estudar na escola Cheam, no Reino Unido e viver com a avó materna Vitória de Hesse e Reno e, anos depois, foi estudar na Escócia, na escola Gordonstoun. Em 1939, Philip deixou a escola e juntou-se à marinha Real Britânica se formando no ano seguinte na Real Escola Naval, em Dartmouth, como o melhor cadete de sua turma.

Neste ano, o rei George VI pai de Elizabeth II visitou a Real Escola Naval, tanto o rei quanto o tio de Philip, o lorde Luis de Mountbatten, pediram a ele que acompanhasse as filhas do rei, Elizabeth II e Margareth. Aos treze anos, a futura rainha se apaixonou pelo príncipe (18 anos) e se correspondia com ele por meio de cartas.

Durante a Segunda Guerra Mundial, príncipe Philip era primeiro tenente da marinha inglesa, e esteve presente na Baia de Tóquio, servindo na Frota Britânica do Pacífico, quando foi assinado a rendição do Japão, no final da Guerra. Retornando à Inglaterra em 1946, o príncipe Philip pediu à mão da princesa em casamento ao rei.

Aceito o pedido, príncipe Philip renunciou seu título de príncipe grego-dinamarquês e a Igreja Ortodoxa Grega, naturalizando-se britânico e convertendo-se à Igreja Anglicana, se tornando então, o duque de Edimburgo.

Em 20 de novembro de 1947, o príncipe Philip casava-se com a futura rainha, ele com 26 e ela com 21 anos. Em fevereiro de 1952, seu pai que sofria de câncer de pulmão e morreu no dia 6 de fevereiro daquele ano de trombose coronariana, e precocemente Elizabeth II assumiu o trono da Grã Bretanha, sendo coroada rainha em 1953.

E, assim, a vida do príncipe Philip mudou para sempre. Assim que Elizabeth II ascendeu ao trono, o duque se tornou príncipe consorte e sua principal função seria dar apoio a sua esposa. Segundo o comandante Michael Parker, amigo e secretário particular do duque de Edimburgo, assim descreveu o momento em que ele percebeu que sua esposa era a rainha. “Era como se alguém tivesse jogado metade do mundo sobre ele. Nunca senti tanta pena de alguém em toda a minha vida. Ele apenas respirou pesadamente, como se estivesse em choque. Ele viu imediatamente que o idílio de sua vida juntos tinha chegado ao fim”, afirmou Parker.

O casal teve quatro filhos; Charles, Anne, Andrew e Edward. Por ser a rainha, os filhos de Elizabeth II e Philip não puderam carregar o sobrenome do pai, justamente para manter a tradição da Casa dos Windsor. “Eu sou o único homem no país que não tem permissão para dar seu nome aos filhos!”, ele disse, quando a rainha foi persuadida a manter o sobrenome Windsor. “Eu não passo de uma maldita ameba!”, desabafou o duque.

Durante os anos que se sucederam, o duque de Edimburgo buscou um propósito para seu papel e que lhe fosse digno. Philip nunca se esqueceu que sua família foi forçada ao exílio da Grécia, e acreditava que monarquias precisavam se adaptar para sobreviver. Ele foi o frescor e deu o pontapé inicial para a modernização comportamental da sisuda e tradicional monarquia britânica.

Um príncipe “hightech” dos anos 50 e 60

O Duque de Edimburgo, readaptou algumas coisas dentro do palácio e extinguiu funcionários que penteavam os cabelos dos monarcas, assim como uma cozinha usada apenas para a elaboração da comida real.

Por estar atento às modernidades de então, Philip instalou dispositivos tecnológicos como o aparelho em seu guarda-roupa que ejetava um terno com o apertar de um botão e adorava aparelhos elétricos. Ele também foi o primeiro membro da família a dar entrevista à televisão e foi o mentor de um documentário “Royal Family”, realizado pela BBC, mostrando a cotidiana e normal vida da rainha e seus filhos, quando não estavam em funções oficiais. O documentário exibido em 1969, foi um marco para a televisão.

Philip era um esportista talentoso, adorava velejar e competiu regatas. Esportes com cavalos também eram sua paixão. Também foi um ativista da causa ambiental e defensor da vida selvagem, tornando-se presidente do WWF (World Wildlife Fund) do Reino Unido, em 1961.

Ao longo destes 73 anos de casamento com a rainha Elizabeth II, Philip foi seu companheiro, seu alicerce, seu conselheiro, seu verdadeiro príncipe encantado, que abriu mão de seus títulos e afazeres para ficar ao lado da rainha até a sua morte em 9 de abril de 2021.“Ele não gosta de elogios, mas tem sido minha força e meu guia todos esses anos. E eu, e toda a sua família, e este e muitos outros países, temos com ele uma dívida maior do que ele jamais diria, (e maior) do que jamais saberemos,” disse a rainha Ellizabeth II, em homenagem ao marido durante a celebração do 50º aniversário de casamento.

  •  A rainha Elizabeth II e o príncipe Philip, o duque de Edimburgo têm em comum a trisavó, a rainha Vitória do Reino Unido.
  • A rainha Elizabeth II também é prima de terceiro grau do Rei Constantino II, da Grécia.
  • O brasão do príncipe Philip, seu estandarte pessoal, que cobriu seu caixão e com o qual foi enterrado traz as armas da Grécia e da Dinamarca representando sua linhagem familiar, as armas da cidade de Edimburgo, que representam o ducado do príncipe e a coroa naval em alusão à sua carreira militar.

Indicação: Para quem quer conhecer a vida do príncipe com a monarca, assista à “The Crown”, série da Netflix.

Foto de abertura: Brasão do Príncipe tem bandeira da Grécia representando sua nacionalidade grega.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin

Conheça outras curiosidades

O mecanismo de Anticítera

Conhecido mundialmente como o primeiro computador do mundo, o mecanismo de Anticítera foi criado pelos gregos antigos.