Nossas Mulheres de Atenas

A exposição de fotografias realizada em 2007 retratou a vida de mulheres imigrantes gregas.

Por Vassiliki T. Constantinidou

Em 2007, para celebrar os 70 anos da Coletividade Helênica de São Paulo foi realizada a Exposição “Nossas Mulheres de Atenas”.

A fotógrafa Olga Vlahou e a jornalista Vassiliki Constantinidou se uniram com o propósito de retratar e ouvir histórias de vida de 19 mulheres imigrantes gregas, inspirando-se na canção de Chico Buarque, “Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas”. Á elas, juntou-se Efro Sazalis, na produção. 

Captadas pelas lentes sutis de Olga Vlahou, essas Nossas Mulheres… souberam guardar consigo a tradição trazida na bagagem e, ao mesmo, reconstruir os sonhos no novo País. Heroínas em suas existências de mães, cantoras, avós, escritoras, professoras e voluntárias sociais, elas são, também, um espelho no qual todas as mulheres se reconhecem. A exposição realizada pela Coletividade, contou com a organização do Centro Kavafis de Cultura Helênica e permaneceu no Conjunto Paulista de 5 a 25 de março. Em outubro a exposição esteve em Sorocaba.

Dona Alfonsina Papazanakis

Origem: Ádana – Turquia. Nasceu no navio em pleno Oceano Atlântico, a caminho do Brasil. Com seus pais e irmãos, desembarcou em Santos em 1922.

Desde de cedo aprendeu a cultivar as tradições gregas e a desenvolver um trabalho solidário.

“Participei das atividades da colônia porque minha família se tornou uma espécie de referência aos gregos que aqui chegavam. Meus tios já viviam aqui desde 1910/12. Fizemos campanhas da Cruz Vermelha, em solidariedade ao povo grego durante a II Guerra. Aprendi a dançar nas festas cívicas e fui presidente da Liga Beneficente das Senhoras Gregas de São Paulo, da qual participo até agora. O meu crescimento foi na Luz. Eu tenho muitas saudades desse bairro em que cresci. Estudei no Prudente de Morais e quando passo por lá tenho vontade de fazer o sinal da cruz, que para mim é como um santuário”.

Alfonsina Papazanakis

Dona Mersine Gabriel Toknos

Origem: Eressó – Ilha de Mitilini. Chegou ao Brasil, com a mãe em 6 setembro de 1959. Tinha pouco mais de 23 anos. Seus irmãos já estavam aqui. Em menos de um ano, conheceu o marido e casou. Ele trabalhava numa fábrica. Quando o marido adoeceu, em 1990, começou a cozinhar para fora.

“A vida foi de muita dificuldade. Perdi meu pai muito cedo. Ainda menina fui para Atenas, ajudar minha tia, que tinha família grande. Cuidava das crianças. Depois fui trabalhar em outras casas, fazendo o mesmo serviço.

Viver na capital me fez conhecer a vida, ampliou meu horizonte. Não queria vir ao Brasil, mas todos já estavam aqui, então vim. Cozinhar foi a saída que encontrei para trabalhar e cuidar das crianças ao mesmo tempo.Hoje faço doces e comidas gregas por encomenda, como mussaká (berinjela ao forno) e dolmadákia (charutinho de uva)”.

Mersine Gabriel Toknos

A fotografa

Olga Vlahou, formada pela faculdade de Belas Artes de São Paulo, nasceu em 1959, em Vrysses – Kiparissia, na Grécia. Chegou ao Brasil em 1961 e, em 1986, voltou para Grécia. Em Atenas, estudou fotografia com Platonas Rivelis, no Photohoros. No início dos anos 90, mudou-se para Itália, onde passou a fotografar profissionalmente, colaborando com várias revistas e jornais italianos (Corriere della Serra e Il Messagero, entre eles), gregos e brasileiros. Desde 1994, trabalha na revista Carta Capital, onde é editora de fotografia.

Olga Vlahou

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